Mundial de corrida de aventura terá equipe do Paraná

Equipe do Paraná treina mundial de corrida de aventura - a Expedição GuaraníImagine passar cinco dias sem dormir, se alimentando quando é possível, analisando mapas, estabelecendo e executando estratégias para concluir uma prova de corrida em meio a natureza selvagem. Ficou difícil? Pois é para isso que Daniel Correa Trevelim, Bruno Zagonel Piovezan, Christine Alencar Moreira e Douglas Elias da Costa estão treinando neste momento. Eles formam a equipe Força Mamba Negra/Os Pamonhas, com sede em Curitiba, e que pela primeira vez vai disputar uma etapa do circuito mundial AR World Series, no Paraguai, entre os dias 06 e 15 de abril.

Equipe do Paraná em mundial de corrida de aventura - a Expedição GuaraníA Expedición Guarani 2018, como o próprio nome diz, é uma corrida tipo expedição e que já está na quarta edição. Durante a prova os participantes viajam cerca de 450 km através de alguns dos lugares mais bonitos do país, num tempo máximo de 124 horas . No percurso tem rios sinuosos, montanhas fechadas de mato, muita areia e estradas enlameadas. O desafio inclui trechos de corrida, remo, pedal e rapel. Tudo na exuberante Mata Atlântica preservada e com pontos de controle pré-definidos e que deverão ser alcançados.

A disputa mais forte e na categoria Expedição, entre equipes com quatro integrantes. A desatualização dos mapas detalhados do interior do Paraguai também é um desafio a ser vencido, como alertam os organizadores no site de divulgação da prova. Sai vencedora a equipe que melhor combinar o desempenho em diferentes disciplinas esportivas próprias da corrida de aventura: mountain bike, trekking, caiaque e orientação. É preciso ter habilidade em todas as frentes. E os atletas da equipe paranaense/paulista tem se esforçado bastante.

Será a primeira vez dos atletas do Paraná e São Paulo numa etapa do mundial. O grupo que vai para a prova foi formado no começo de 2017, com um ano de antecedência. O capitão Daniel Correa Trevelim diz que o treinamento na maioria das vezes é individual. “Como nós somos de estados diferentes, os treinos coletivos são bem difíceis de acontecer. Geralmente só nas provas mesmo. Mas cuidamos um do outro com orientações e discussões a respeito dos treinamentos, via internet.”

"Muitas coisas acontecem e você tem que lidar e superar ali, naquele momento. Se não, você não progride." O dentista de Curitiba Daniel Correa Trevelim é o capitão da equipe.
“Muitas coisas acontecem e você tem que lidar e superar ali, naquele momento. Se não, você não progride.” O dentista de Curitiba Daniel Correa Trevelim é o capitão da equipe.

Ele mesmo tem uma rotina de preparação duas vezes por dia. De manhã e à noite. “Intensificamos agora em fevereiro e vamos seguir esse ritmo até meados de março,  quando teremos uma diminuição para regeneração física e preparo da prova.” Os treinos variam de duas a quatro horas. Nos finais de semana se prolongam por 12-15 horas.

E na planilha tem de tudo ao mesmo tempo agora. Bike, corrida, canoagem. Fora a musculação feita com a ajuda de professores em academias. Nas atividades externas, a modalidade que mais tem exigido dos atletas é a canoagem. “Sempre tem algo para melhorar na técnica das remadas.”

Douglas e CrisCris 1Durante a competição, eles também vão precisar lidar com as dores no corpo e o sono. “Depois da segunda noite sem dormir o sono passa a ser um inimigo traiçoeiro.” A meta é realizar a prova inteira, com todos os integrantes juntos. Se isso ocorrer muito provavelmente a equipe vai estar entre os 10 primeiros da  Expedição Guaraní. O que será uma vitória para os estreantes no mundial.

Bruno ZagonelE por que alguém se desafia a concluir uma prova insana, já sabendo que vai passar longos dias e noites sem sono regular, alimentação restrita e exaurindo o corpo até o último limite? “O desafio é justamente superar os limites e saber que podemos ir mais longe sempre.. mesmo nas piores condições”, esclarece  o capitão Daniel. “Essa prova testa o ser humano. Não só fisicamente, mas também mentalmente com muito trabalho em equipe. Muitas coisas acontecem e você tem que lidar e superar ali, naquele momento. Se não, você não progride.” Vale pra vida. E talvez seja essa a grande lição por trás da corrida de aventura – uma oportunidade para aprender como viver. Apenas.Daniel e bruno 1Entendendo a corrida de aventura: 

  • Orientação
    É considerada a disciplina mais estratégica, pois em todas as outras modalidades as equipes terão que avançar com a ajuda apenas do mapa e da bússola.
  • Trekking
    Os trechos de trekking serão os mais desafiadores da corrida. As equipes terão que se deslocar por caminhos rudimentares, atravessar ou avançar através dos rios, escalar cachoeiras e até mesmo atravessar o meio da floresta.
  • Mountain Bike
    Os corredores encontrarão várias pontos de mountain bike em todos os tipos de terreno. A navegação também será um fator determinante nesta disciplina. É necessário levar peças de reposição.
  • Caiaque
    Haverá várias seções de caiaque. Alguns deles, em rios com pequenas corredeiras.
  • Cordas
    Ao longo da corrida, haverá diferentes atividades de cordas, como descida, subida e pontes tibetanas.
Palco da Expedição Guaraní 
Itapua sede Expedicion Guarany
Itapúa é o sétimo departamento do Paraguai, também conhecido como “El grannero del país”. A capital é a cidade de Encarnación. A região fica no sul do Paraguai fazendo fronteira com a Argentina pelo rio Paraná. Itapúa tem a terceira economia do país e também fica em terceiro no número de habitantes, atrás do Departamento Central e do Departamento do Alto Paraná.

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