Oportunidades de eficiência energética na indústria

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Entre as 23 maiores economias do mundo o Brasil é o penúltimo colocado no ranking internacional de eficiência energética. O estudo foi feito pelo Conselho Americano para uma Economia Eficiente de Energia (ACEEE, em inglês). O país está atrás inclusive de países emergentes como Rússia, Índia, China e África do Sul. A Alemanha é líder mundial. Por lá, a eficiência energética se fortaleceu junto com a escassez de recursos naturais e o fortalecimento da consciência ambiental. Por aqui, o conceito tem presença nos espaços corporativos mas só nos últimos anos passou a contar com incentivo público e a atenção da indústria.

O presidente da ABESCO (Associação Brasileira das Empresas de Eficiência Energética), Alexandre Moana, acredita que a situação do parque fabril brasileiro, considerado um dos mais antigos do mundo, colabora para o mau desempenho. Para ser eficiente é necessário reduzir o desperdício, o que não ocorre ainda em grande escala. O Brasil cresceu na produção de energia limpa – especialmente com parques eólicos, mas em três anos desperdiçou quase 144 mil GWh de energia. Conforme os cálculos da ABESCO, isso equivale a R$ 61,71 bilhões de reais. “É como se eu tivesse investido materiais, esforços, trabalho, para um coletor de água da chuva alimentar uma caixa d’água furada”, enfatiza.

Fazer os reparos é o papel da gestão de energia. Um nicho de trabalho em alta nesse mercado que passou a valorizar o desenvolvimento sustentável como diferencial de competitividade e crescimento empresarial.

 

Fábio Antonio Filipini é o fundador da GRAPHUS Energia, empresa de consultoria e fornecimento de soluções em energia elétrica com 25 anos de atuação. Com sede em Curitiba, atende clientes no Brasil inteiro. E ressalta o papel das concessionárias nos programas de redução das perdas de energia. Desde 2004 a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), determina a realização de chamadas públicas anuais para definição de investimentos junto aos consumidores.

Mulher trabalhando na área têxtil
Empresas têxteis e de confecção estão com parque fabril defasado por causa do encolhimento do setor nos últimos anos.

No ano passado a linha de crédito aberta pela Copel, no Paraná, destinou R$ 16 milhões. Conforme o especialista é a melhor opção para financiar as adequações não só empresas mas no comércio, universidades, setor público. O consumidor que é contemplado tem um ano para implementar o projeto e só então começa a pagar o empréstimo, com atualização monetária, mas sem a cobrança de juros. E com parcelas que correspondem a economia gerada no mês. “É bom porque não mexe no fluxo de caixa da empresa. Nós temos feito estudos e apresentado projetos para empresas de todos os setores e estados.” No ano passado a concessionária de Goiás disponibilizou R$ 60 milhões. O dinheiro ajuda a fortalecer a indústria, pois proporciona a renovação do parque fabril. Somando com outros incentivos públicos para a instalação de indústrias, hoje o estado conta com um forte e moderno polo de produção têxtil, por exemplo. No Paraná, a chamada de projetos 2017 ainda não foi aberta, mas a expectativa do setor é de uma oferta em torno de R$ 20 milhões para os projetos.

Além do uso consciente da eletricidade, os projetos de eficiência energética podem contemplar alternativas para aumentar a eficiência dos sistemas existentes ou implementar o uso de novas tecnologias. No TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná) o programa de pesquisa do governo do estado está colaborando com a transição para a economia de baixo carbono, como nos explicam o diretor-presidente Júlio Félix e o pesquisador Luiz Fernando Rocha.

Outra oportunidade que se abre neste segmento de eficiência energética é o lançamento de produtos. Os Institutos Lactec, com cinco plantas em Curitiba, são referência em pesquisa e desenvolvimento. Uma inovação nascida nos laboratórios no Paraná, está em uso por concessionárias de energia na Bahia (Coelba) e São Paulo (Eletropaulo). O dispositivo integra fonte de energia limpa, sensores de alta precisão e muita tecnologia para monitorar possíveis perdas nas redes de transmissão de energia. Entenda com a explicação do pesquisador Carlos Purim.

Para ser eficiente, seja simples. Primeiro deve ser feita a análise do potencial de economia, depois a elaboração do projeto de eficiência energética. Os custos variam de acordo com o tamanho da empresa. Já as ações podem começar com medidas básicas e mais baratas na relação custo-benefício, como troca de lâmpadas e equipamentos. Os consultores também recomendam a adoção de programas para monitorar o consumo de energia elétrica via internet, o que possibilita um gerenciamento de gastos mais eficaz.

Trabalhadores na Posigraf
Só com a substituição de lâmpadas a economia gerada no consumo pode chegar a 50% em um ano e meio.

Um bom critério para decidir se é hora de fazer o investimento é avaliar se o conjunto de medidas terá retorno, com economia efetiva em até dois anos. Fabio Lipini estima que nos próximos cinco anos essa preocupação, que chegou na indústria por causa da crise econômica e a necessidade de redução de custo fixo, vai estar incorporada às práticas por causa da questão ambiental. “O produto que não for obtido seguindo os parâmetros de desenvolvimento sustentável como os estabelecidos pelas ISO 14001 (meio ambiente) e ISO 50001 (gestão de energia) não terá mais aceitação em mercados internacionais competitivos e rentáveis, como Europa e Estados Unidos.

Reportagem Gislene Bastos. Com a colaboração de Fabiana Genestra e Dionei Santos.

Veja também a parte 1 desta reportagem: eficiência energética: o simples é a maior inovação
Veja também a parte 2 desta reportagem: desafios à eficiência energética na indústria

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