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Soluções em moradia – Sustentabilidade 3

Prédio em construção alia tecnologia,conforto e cuidado com a natureza

Prédio em construção alia tecnologia, conforto e cuidado com a natureza


“O empreendimento é super luxo, tem 29 pavimentos, unidades duplex e tríplex. Um apartamento aqui tá custando a partir de R$ 2,8 milhões. Nem dez por cento do prédio pronto e só restam três unidades, de quarenta e duas.”
As palavras são do gerente de engenharia Claudio Fauce, da construtora Laguna. A empresa pesquisou e apostou no certo! Um grupo de consumidores disposto a pagar – e bem! – por inovação dentro de casa. Gente que exige bem estar, sem esquecer-se do cuidado com a natureza. Em nome do conforto térmico, visual e acústico, muita tecnologia. No prédio em construção num bairro nobre de Curitiba o piso tem calefação feita de cabos interligados a uma manta acústica de alumínio e a uma resistência elétrica. O gasto de energia é controlado com automatização. Conforme a temperatura sobe, reduz-se o consumo com a programação do termostato. Solução que também reduz o uso do ar condicionado e de aquecedores. “O sistema se mantém estável. O aquecimento do piso aquece o ambiente.” Os vidros das janelas e portas também foram dimensionados pra deixar passar a luz e o calor, mas não o barulho. A combinação de vidros duplos com esquadrias veda o a área interna.
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Homem trabalha na vedação do piso da sacada no prédio super luxo em construção


Mas como em qualquer obra essa também gera resíduos! E reduzir é o verbo no empreendimento. A construção seca, com o uso de drywall ajuda bastante. Separar e reaproveitar materiais também. “Madeira vai pra olarias, gesso para aterro de gessos ou fertilização do solo, entulho para aterro de entulhos, terra para outro ambiente”, esclarece o engenheiro. Mas essa ainda é uma prática que depende muito da boa vontade da construtora em procurar parceiros. Dar destino correto pra uma caçamba de gesso, por exemplo, custa três vezes mais que uma de resíduo comum.
Os empresários Odair Sanches e Theodoro Lipinski Neto se especializaram em minimizar impactos ambientais gerados pela construção civil. “Recebemos, separamos os materiais e transportamos para reciclagem”, explica Odair. A empresa começou as atividades há três anos com a proposta de devolver valor ao gesso jogado fora. Mas os sócios estão desanimados. Acreditam que só dez por cento do volume gerado numa capital como Curitiba, voltam para a cadeia produtiva. “O gerador de resíduo pode ser tanto uma grande construtora, que já está orientada pelas normativas, ou o pequeno gerador, aquela obra de reforma em residência ou sala comercial. Abaixo de 600metros a prefeitura não exige essa documentação.” Tratado como lixo comum, o gesso tem dois descartes: ou vai para o aterro orgânico, o que é errado, ou simplesmente para aterros clandestinos. “O destino mais barato é aquele que não tem custo. E quando você manda para áreas marginais é isso que acontece. Tudo que é correto tem um custo.”
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Estima-se que só dez por cento do volume de resíduo de gesso gerado numa capital como Curitiba, voltam para a cadeia produtiva.


Desde 2011, gesso e drywall passaram a ser tratados como resíduos de reciclagem obrigatória pela legislação nacional. Pra resolver o problema de quem produz, e dar destinação correta ao rejeito, a empresa cobra 390 reais a caçamba com 5 metros cúbicos. E gera empregos! Lucas Bertuletti ficou três meses desempregado até conseguir a vaga de separador de gesso. “Muita gente joga fora. Aqui a gente aproveita, faz dinheiro! Para Theodoro “o gesso ainda hoje é o patinho feio do reciclável. A fiscalização é fator importante. O esclarecimento é outro. Trata-se de uma poluição química que percola o solo e infiltra-se no lençol freático.” Em aterros clandestinos quem não quer pagar se beneficia com o desconhecimento dos catadores de lixo reciclável e a falta de fiscalização do poder público. Por dia, chegam a descarregar na área administrada pelo Jurandir da Silva, na Cidade Industrial de Curitiba, até 50 caçambas de resíduos. Jurandir afirma, sem medo de punição, que “o gesso a gente não chega a separar. Vem no meio da caliça (resíduo da construção civil). O pouco no meio, não tem como separar.” Vira aterro.
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DSC_0559Muito do que é jogado de qualquer jeito em áreas clandestinas ganharia um destino nobre numa fábrica em Colombo, região metropolitana de Curitiba! O engenheiro civil Fauaz Abdul Hak desenvolveu o processo separa o enxofre e o cálcio presentes no gesso para obter fertilizante. O gesso é triturado, separado pequenos grãos e seco em fornos que chegam a 200 graus centígrados! O método está sendo copiado por empresas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal, Goiás. “Isso é limpeza e saúde pública! Tá faltando conscientização pra fazer o certo”, defende Fauaz.
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O fertilizante obtido com o processo de trituração e aquecimento do resíduo de gesso gerado pela construção civil


E tem um jeito de construir gerando quase nada de resíduo, sem desperdícios, gastando até trinta por cento menos que em uma obra convencional, e ainda dando reuso a um material descartado pelo mercado! A Kátia Gabardo é empresária. Ganha dinheiro com a locação de contêineres. E decidiu levar a família pra morar dentro de alguns… A residência confortável tem dois pisos, três quartos com suíte e seis blocos integrados. “Embaixo são três contêineres. O primeiro é escritório, lavabo, cozinha, copa e churrasqueira. Outros dois tem a porta, janela e finalize o terreno com a área de serviço. Lá em cima tem outros três com quartos, suíte e varandas. Um ao lado do outro com jogo para criar garagem e varandas.”
A casa contêiner tem dois pisos, cômodos confortáveis,temperatura agradável e segurança nas instalações elétrica e hidráulica.

A casa contêiner tem dois pisos, cômodos confortáveis,temperatura agradável e segurança nas instalações elétrica e hidráulica.


Detalhes de acabamento e o revestimento de drywall nas paredes garantem temperatura estável no interior da residência. Outras soluções, como calhas no telhado para aproveitar a água da chuva nas áreas de churrasqueira e jardins, valorizam a vocação ecológica da casa. Uma casa moderna, sustentável. E a velocidade da obra surpreende. Foram só quatro meses entre o projeto, os ajustes nos contêineres e a obra concluída. “O contêiner não é estético, mas é possível transformar em bonito. O reciclar é mais que só reaproveitar. Mas também transformar materiais.”
Construir e morar sem agredir demais o meio ambiente e ainda devolver valor ao que seria descartado! Escolhas possíveis – pra qualquer bolso.

Esse é o terceiro de uma série de cinco textos sobre sustentabilidade em nosso dia a dia. Veja também
O que é ser ambientalmente sustentável?

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O lixo de todo dia – Sustentabilidade 2

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Responsabilidade pública e você – Sustentabilidade 4

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Vivendo o Conceito – Sustentabilidade 5

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